
Coxim – MS
A corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Sob a justificativa de uma “reestruturação financeira”, a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) impôs um reajuste brutal nas mensalidades que, na prática, transfere para as costas do funcionalismo público o preço de um visível descontrole em sua gestão de custos. Para o servidor municipal de Coxim, que já convive com salários historicamente defasados e pisos que mal cobrem a inflação, o aumento na taxa de cônjuges — que saltou absurdamente de R$ 35,00 para R$ 450,00 — representa um impacto insustentável.
É inadmissível que um trabalhador da base da pirâmide municipal, que atua na limpeza, no apoio administrativo ou na educação básica de Coxim, tenha que ver seu orçamento doméstico ser devastado por um aumento de 1.186% que rompe os limites do bom senso e da boa-fé.
A injustiça dos números: O peso desproporcional sobre o trabalhador
O projeto A Verdade dos Fatos traz à tona a dura realidade do custeio da saúde suplementar no município. Atualmente, a divisão dessa conta expõe uma enorme disparidade: enquanto a cota patronal participa com 4,5%, o servidor municipal assume o peso de até 14,00% de contribuição.
Diante de uma divisão já tão pesada para o bolso do trabalhador, a imposição de novas taxas fixas elevadas torna o cenário impraticável. Essa matemática perversa desconsidera completamente a realidade socioeconômica do interior do estado. O trabalhador municipal de menor renda se vê estrangulado financeiramente por uma estrutura que ele simplesmente não tem como bancar sozinho.
Infraestrutura de excelência custeada pelo bolso de quem ganha menos
Ninguém nega a importância histórica da Cassems ou a infraestrutura que ostenta, inclusive com o moderno hospital que atende a região de Coxim. No entanto, o que a diretoria da operadora precisa encarar é que a conta de investimentos expansionistas e do descompasso de gastos internos não pode ser enviada, de forma linear e impiedosa, para quem ganha menos.
A justificativa corporativa de “inflação médica” perde a força quando colide com a realidade local. Servidores com vencimentos mais altos possuem margem para absorver o impacto. Já o servidor municipal de Coxim foi colocado em um beco sem saída. A Cassems escolheu o caminho mais fácil para sanar seu rombo de caixa: a punição financeira direta aos dependentes, ignorando a capacidade contributiva de seus próprios associados.
A dolorosa escolha entre o orçamento familiar e a assistência médica
O que está acontecendo em Coxim é um processo velado de exclusão. Sem condições de arcar com os novos valores e diante do peso das porcentagens atuais, dezenas de servidores públicos municipais estão sendo empurrados a cancelar o plano de seus parceiros e filhos, deixando suas famílias desamparadas.
“A Cassems criou uma taxa que nos impede de passar pela porta do próprio hospital que ajudamos a manter. Cobram 14% do nosso salário e agora querem mais 450 reais por dependente? Vou ser obrigada a sair do plano. Como vou tirar esse dinheiro da alimentação da minha casa?”, desabafa, com indignação, uma servidora da educação de Coxim.
O trabalhador coxinense se sente lesado. Ajudou a construir e a consolidar o patrimônio da operadora ao longo de décadas com seus descontos em folha e, agora, no momento em que a gestão da Cassems demonstra descontrole nos custos, é tratado como um mero número descartável em uma planilha de receitas.
O apelo por valorização e a busca por alternativas
O servidor municipal de Coxim não pode e não vai absorver calado esse descompasso administrativo da operadora de saúde. Diante da gravidade da situação, torna-se fundamental que a Prefeitura Municipal de Coxim e o sindicato da categoria unam forças para intervir nesta crise. É hora de a administração municipal liderar um diálogo firme com a diretoria da Cassems, buscando alternativas viáveis — como o subsídio dessas novas taxas ou o reajuste das cotas de participação — para proteger o funcionalismo de menor renda.
A saúde do trabalhador não é mercadoria. Exigimos respeito ao servidor de Coxim, a revisão imediata desse reajuste abusivo e uma postura de real responsabilidade social por parte da Cassems. Proteger quem serve ao município é o mínimo que se espera para garantir a dignidade das famílias coxinenses.
Por: Paulo Monteiro








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