
No cotidiano da administração pública de Coxim, um fenômeno recorrente volta a ser pauta nos bastidores da cidade: a postura de detentores de cargos temporários e de confiança perante o cidadão e os colegas de carreira. O alerta, que ecoa nos corredores da Prefeitura e das secretarias, traz uma reflexão necessária sobre a transitoriedade do poder e o peso do tratamento humano.
O exercício de um cargo público, seja ele por nomeação política ou contrato temporário, é, por definição, um empréstimo de autoridade. No entanto, não é raro observar indivíduos que, ao assumirem uma cadeira de destaque, confundem a caneta com uma armadura e o balcão com um pedestal. O uso do poder para humilhar, desmerecer ou “dar o troco” em adversários e subalternos tem se tornado um erro estratégico e moral grave.
A Transitoriedade do “Estar”
O grande equívoco de quem ocupa um cargo passageiro é esquecer que a cidade é menor do que a sua arrogância momentânea. A política é pendular: quem hoje assina a ordem, amanhã pode estar do outro lado do guichê solicitando o serviço.
Especialistas em gestão pública e ética afirmam que a autoridade conquistada pelo medo é frágil e se dissolve no momento em que a exoneração é publicada no Diário Oficial. Já a autoridade construída pelo respeito e pela eficiência técnica permanece como um legado pessoal e profissional.
O Servidor como Espelho da Gestão
Para o servidor municipal de Coxim, o alerta é claro: o poder não lhe pertence, ele pertence ao povo. Tratar o cidadão com desdém ou usar a máquina pública para exercer pressões psicológicas sobre servidores de carreira não é apenas uma falha de caráter, mas um atentado contra a própria eficiência administrativa.
A humilhação de terceiros, sob o pretexto de uma hierarquia temporária, cria um ambiente de trabalho tóxico e mancha a imagem da gestão vigente. É preciso lembrar que, em cidades do interior, a memória coletiva é longa. O “poderoso” de hoje será o vizinho, o cliente ou o transeunte de amanhã na Rua Antônio de Albuquerque ou na Virgínia Ferreira.
Conclusão: O Valor do Respeito
A ética no serviço público exige que a humildade seja a base do atendimento. Cargos passam, decretos expiram e mandatos terminam, mas a maneira como você trata as pessoas define quem você será quando a placa com seu nome for removida da porta do gabinete.
A verdadeira estatura de um homem público não se mede pelo tamanho do seu cargo, mas pela forma como ele trata aqueles que, no momento, nada podem lhe oferecer.
Por: Paulo Monteiro










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